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12/2018

Descubra como Giovanna, jovem com paralisia cerebral, chegou à universidade e planeja fazer doutorado no Japão

Assessoria de Comunicação da Unimed Maceió Giovanna com a fisioterapeuta Kássia de Oliveira Duarte

Giovanna com a fisioterapeuta Kássia de Oliveira Duarte

Conversar com Giovanna, 19 anos, é embarcar em um mundo de música, livros, frases inteligentes e muita curiosidade sobre a vida, especialmente biologia e genética. É também olhar o mundo sob a ótica da jovem, que tem paralisia cerebral. Sim, as dificuldades do dia a dia são muitas. Mas as conquistas, também. Giovanna já está na faculdade e é uma das melhores alunas do curso de Biomedicina. E tem planos para o futuro, como fazer doutorado em embriologia no Japão.
 
O diagnóstico de paralisia cerebral veio quando Giovanna ainda era um bebê, com cerca de seis meses. Foram necessários vários exames e consultas com alguns especialistas para descobrir o que estava acontecendo com aquela garotinha de lindos olhos escuros, a caçula de três irmãs.
 
Quando finalmente descobriram a doença da filha, os pais de Giovanna tinham muitas dúvidas sobre o tratamento e como seria a vida dela. Mas tinham também uma certeza: o amor só aumentava com os desafios. “A gente sempre procurou oferecer o melhor para ela. Dando estímulo e incentivo para que ela fizesse muitas coisas”, conta José George do Nascimento, pai da jovem.
 
A paralisia cerebral afeta a parte motora (rigidez muscular, alterações do movimento, falta de coordenação e movimentos involuntários) e causa alterações cognitivas (problemas na fala, no comportamento, na interação social e raciocínio) no paciente, que vai precisar de cuidados especiais durante toda a vida.
 
Giovanna tem a parte cognitiva preservada, mas precisa de cadeira de rodas para se locomover e ajuda para realizar algumas tarefas. Isso não a impediu de estudar. Em idade escolar, já estava matriculada, mas as batalhas estavam apenas começando. Além da dificuldade de encontrar uma escola que a aceitasse e soubesse lidar com suas especificidades, ainda teve que reivindicar estudar todas as disciplinas.
 
“Eu estudava apenas Português e Matemática. Mas queria mais. E provei que poderia estudar as outras matérias, como os meus colegas, como qualquer pessoa. Infelizmente, os colégios não estão preparados para receber pessoas com deficiência”, conta Giovanna, que sempre foi uma das melhores da turma.
 
No ensino médio, a preocupação era com o Enem. “Em 2015, fiz por experiência, para saber se poderia usar o notebook ou se teria que ditar a redação. Foi bem turbulento”, relembra a jovem, que costuma utilizar o note para digitar as aulas.
 
Encantada com Biologia e genética, Giovanna deixou de lado o sonho de criança de ser veterinária e encarou mais um desafio. “O meu diagnóstico diz que tive paralisia cerebral por incompatibilidade sanguínea com a minha mãe. Mas acredito que esteja errado. Por isso escolhi Biomedicina. Quero estudar cada vez mais e realizar pesquisas na área da genética e embriologia. Planejo fazer doutorado no Japão e ajudar as pessoas com as minhas descobertas. Sei que sou capaz. Muitas vezes, as pessoas com deficiência só precisam de oportunidade para mostrar seus talentos”, afirma a jovem.
 
Paciente da Fisioterapia da Unimed Maceió, onde é atendida pela equipe multidisciplinar composta por fono e fisioterapeuta, psicóloga e terapeuta ocupacional, Giovana estuda à noite em uma faculdade particular e pelo menos três vezes por semana vai direto das sessões para as aulas. Ela faz um lanche, conversa com os funcionários da unidade e outros pacientes e, se necessário, ainda retoca a maquiagem e arruma o cabelo.
 
A fisioterapeuta Kássia de Oliveira Duarte, que atende a jovem, conta como é o trabalho realizado com Giovanna: “A gente faz alongamento global, ressaltando mais o lado encurtado e fortalecendo o lado que está mais flexível. O alongamento serve também para tratar a escoliose. Estimulamos ainda o equilíbrio, com o controle do tronco sentada. Quando Giovanna está sentindo dor, fazemos massagens e liberações miofasciais. Se for uma dor mais intensa, utilizamos eletroterapia”.
 
Uma aventura coreana
Em agosto deste ano, Giovanna e seu pai, George, embarcaram em uma aventura. Foram para São Paulo assistir ao show do grupo coreano Monsta X, uma das paixões da jovem. E põe paixão nisso. Para ir ao espetáculo, ela deu plantão na internet para comprar os ingressos – o que fez sozinha, sem a ajuda dos pais ou das irmãs -, suou frio mas conseguiu.
Ingressos comprados, hotel reservado, todos os apetrechos do grupo devidamente guardados na mala – como o lightstick, que costuma ser ligado quando as músicas começam – e lá foram eles. Voar de avião também exige paciência. “Por causa da cadeira de rodas sou a primeira a entrar e a última a sair”, conta Giovanna.
 
Na capital paulista, os desafios se multiplicaram com a locomoção e chegada ao local do show. “O acesso ao espaço destinado para cadeirantes foi difícil. Chegamos horas antes do início da apresentação para evitar problemas, mas foi bem tumultuado. Primeiro ficamos em uma área, depois fomos levados para outro local”, contam Giovanna e George. 
 
Foram momentos de tensão, dificuldade para achar um bom lugar para a cadeira de rodas, receio de que algo desse errado. Mas tudo isso valeu a pena. “Eu gosto muito de música. Sou bem eclética, mas amo Kpop [korean pop] e realizei um sonho quando fui para o show. Me emocionei, vi de perto o grupo que amo. Todo o esforço valeu a pena”.
 
E apesar dos obstáculos, preconceitos e desafios, a futura Dra. Giovanna Maria Correia Silva do Nascimento é otimista: “Eu acredito na humanidade, nas pessoas. Enquanto houver uma pessoa fazendo o bem, eu acredito que podemos ser pessoas melhores”.